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Conteúdo da Psicoterapia Teocêntrica

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domingo, 11 de abril de 2010

ÊXTASE ESPIRITUAL



"Misticismo é a perversão do místico. Místico é aquilo que se abre para a possibilidade do invisível e de sua realidade, mas sem sistematização. Já o misticismo é a tentativa de criar uma mecânica que tenha em si mesma o poder de contatar as dimensões que nos transcendem, visando usá-las ou manter contato controlado com elas. Daí haver Mística na dimensão genuína da fé, mas não Misticismo". Rev. Caio Fábio


Êxtase Espiritual
Êxtase é uma experiência espiritual comum aos videntes. Um estado psíquico-espiritual pelo qual a pessoa fica, parcial ou totalmente, voltada para o mundo espiritual; não tem conhecimento pleno da dimensão em que se encontra; Não há perda de consciência e sim transição dimensional, pois a mente fica entre o estado físico-psíquico e a realidade psíquico-espiritual.

Estava eu orando na cidade de Jope, e em [êxtase] tive uma visão; descia um objeto, como se fosse um grande lençol, sendo baixado do céu pelas quatro pontas, e chegou perto de mim. Atos 11:5

O êxtase, quando superficial, pode permitir que a pessoa tenha um pequeno senso do meio físico em que se encontra, mas, se for uma experiência profunda, pode deixar o indivíduo completamente fora deste mundo, de modo que tenha apenas consciência de sua existência espiritual.

Êxtase é também um estado psíquico espiritual em que a pessoa se encontra como que fora do mundo físico. Em alguns casos parece-nos possível o ensino de que as experiências extáticas envolvem o abandono temporário do corpo, por parte do espírito, daí o nome arrebatamento espiritual ( 2 Co 12:2).


E levou-me [em espírito] a um grande e alto monte, e mostrou-me a santa cidade de Jerusalém, que descia do céu da parte de Deus, Ap 21:10

O êxtase, leve ou profundo, e o arrebatamento espiritual são experiências semelhantes que envolvem aspectos psíquicos e espirituais. Suas diferenças são quase imperceptíveis. Parece-nos que no primeiro caso a realidade espiritual vem ao mundo psíquico e no segundo temos a idéia de que o psíquico adentra no mundo espiritual.

Arrebatamento Espiritual
No arrebatamento espiritual, por obra exclusiva do Senhor, o espírito do homem é arrebatado para o mundo espiritual. Duas perguntas surgem:
1.O arrebatamento espiritual é uma experiência que acontece no corpo ou fora dele?
2.O homem é trasladado fisicamente ao mundo espiritual ou o somente o espírito?

Os dois homens que a Bíblia registra que foram trasladados fisicamente não mais voltaram a este planeta: Enoque ( Hb 11:5); Elias - (2 Rs 2:11). O apóstolo Paulo teve uma experiência espiritual espetacular, mas não conseguiu discernir perfeitamente se estava no corpo físico ou fora dele. Tudo nos leva a crer que Paulo teve um arrebatamento espiritual e não uma trasladação física.

2 Co 12: 2 Conheço um homem em Cristo que há catorze anos (se no corpo não sei, se fora do corpo não sei; Deus o sabe) foi arrebatado até o terceiro céu.

No arrebatamento espiritual o espírito não é retirado do homem, no sentido literal, mas transportado ao mundo não físico, pela ação divina. Todas as limitações humanas se dissolvem, incluindo: tempo, espaço, velocidade, etc. (Ez 8:1-3).

É importante sabermos que arrebatamentos e êxtases são experiências ou fenômenos espirituais acompanhados de plena consciência. Dentre os relatos bíblicos e inúmeros testemunhos de cristãos ao longo da história da igreja, não encontramos nada que possa nos dar a idéia de que os fenômenos espirituais entre os cristãos aconteçam de forma inconsciente.
Não há registros bíblicos de fenômenos espirituais marcados pela inconsciência. As experiências psíquicas e espirituais que neutralizam a capacidade do homem exercer sua vontade livre costumam ter estreita ligação com o ocultismo, no âmbito da projeção astral e da possessão demoníaca.

Os textos bíblicos sobre êxtase e arrebatamentos sempre contêm descrições do mundo espiritual, as quais seriam impossíveis de serem relatadas sem a presença da consciência.

2 Co 12: 4 ... que foi [arrebatado] ao paraíso, e ouviu palavras inefáveis, as quais não é lícito ao homem referir.

Ap 4:2 Imediatamente fui [arrebatado] em espírito, e eis que um trono estava posto no céu, e um assentado sobre o trono;

Observamos que a forma de consciência presente no momento dos fenômenos espirituais possuiu as mesmas características da alma em seu estado natural de consciência. Estas características de consciência - emoção, vontade e raciocínio - são agentes visivelmente ativos na realidade do mundo espiritual.

Ez 111: Então me levantou o Espírito, e me levou à porta oriental da casa do Senhor, a qual olha para o oriente; e eis que estavam à entrada da porta vinte e cinco homens, e no meio deles vi a Jaazanias, filho de Azur, e a Pelatias, filho de Benaías, príncipes do povo.

Somos da opinião que espírito e alma estão profundamente interligados e que participam de uma interação nas experiências espirituais. A consciência está na alma, sede da personalidade. Ela é uma só, seja no mundo físico ou numa dimensão espiritual. Não temos duas consciências, daí a impossibilidade de sermos arrebatados no espírito e, simultaneamente, continuarmos participado das atividades normais de nosso cotidiano, ou seja, não dá para a consciência acompanhar o espírito e ao mesmo tempo permanecer no corpo. Os fatos nos provam que no momento em que se processa um arrebatamento espiritual, cessam todas as atividades de consciência com o meio físico onde o vidente se encontra.
Não há como manter uma conversa com um amigo enquanto o espírito participa de um arrebatamento. As duas situações exigem a presença da consciência. Não há como estar presente ou consciente em duas dimensões ao mesmo tempo.

Às vezes olhamos e não vemos. Esta situação pode acontecer quando nossa atenção estiver fora do foco visual. A concentração em pensamentos distantes oculta a percepção de cenas, imagens e sons físicos. Dependendo da intensidade, quando estamos absortos em nossos pensamentos podemos ficar desligados da realidade ao nosso redor. Neste exemplo, o corpo e a alma permanecem ativos, mas não estão trabalhando em conjunto. Os olhos, mesmo fixos, diante de um objeto, não conseguem ter a consciência da visão. Só o corpo não é suficiente para a visão. Não vemos apenas com os olhos, nossa consciência tem que estar atrelada à visão.
Sendo a consciência uma só no homem, seja para a realidade física ou espiritual, sua ação plena numa dimensão específica implicará no desligamento temporário da outra.
Na vida terrestre, o homem tem sua consciência voltada para o mundo físico, por viver quase que unicamente na dimensão do corpo e da alma. Quando o homem passa por experiências de êxtases e arrebatamentos espirituais, sua consciência desliga-se temporariamente do mundo físico, acompanhando e registrando a realidade vivida no plano espiritual.

Tive a oportunidade de ver pessoas que estavam orando em nossa igreja e que repentinamente caíram sob o poder de Deus, permanecendo deitadas no chão, completamente inertes, como em sono profundo, sem nenhuma comunicação com as demais pessoas que se encontravam na sala de oração. O tempo em que permaneceram nesse estado variou de pessoa para pessoa. Algumas 'como desacordadas' por vários minutos e outras por um brevíssimo tempo.
Depois que os irmãos despertaram do sono espiritual indagamos um pouco sobre o acontecido. Uns falaram de um imenso gozo espiritual que sentiram como um bálsamo celestial sobre suas vidas; outros relataram sobre visões espirituais. O que ficou claro para nós naquela reunião de oração (e noutras) foi a diferença de intensidade de consciência. Quanto mais se adentra no mundo espiritual, mais se perde a consciência da realidade física, predominando os fatos da dimensão espiritual.

Biologicamente, por ocasião de um arrebatamento, o corpo continua vivo, com algumas alterações vitais observadas na respiração e nos batimentos cardíacos, mas sem nenhuma implicação na saúde geral do homem. Fisicamente o vidente poderá permanecer na mesma posição em que se encontrava no momento do êxtase ou arrebatamento, seja de pé, sentado ou deitado. Na maioria dos casos, os que estão de pé caem sob o poder de Deus; alguns permanecem como que petrificados (estátuas, inertes, de pé ou noutras posições).
E quando o homem morre o que acontece com sua consciência? Ela cessa as atividades físicas porque não tem mais o corpo (cérebro) para agir no mundo material, todavia continua ativa junto ao espírito, totalmente imersa na realidade espiritual até o dia da ressurreição.

Extraído do livro 'Os Videntes', de BenneDen.

Um comentário:

Luiz Gomes disse...

Superinteressante o texto...
Gostaria de tirar uma dúvida.
Eu acredito baseado em algumas informações e comparações, que há uma semelhança bem grande entre o êxtase ritualístico (como os das igrejas protestantes e pentecostais, candomblé e umbanda com suas possessões, entre outros...) e o êxtase originado algumas vezes pelo uso de algumas drogas psicotrópicas como a canabis ou a mescalina se houver um ambiente sugestivo neste caso.
Acredito que em ambos os casos, o foco de atenção destas pessoas estaria bem concentrado nos objetos que mais chamassem a atenção. E dependendo do objeto, tais pessoas poderiam ser sugeridas a entrar no tal êxtase, seja pela forma das palavras proferidas, melodia de uma música, imagens emitidas, etc...
Nunca estudei psicologia muito à fundo, mas o que acha?